FORMAÇÃO-ACÇÃO - Um modelo de apoio do CENFIM ao desenvolvimento das Empresas

 

OBJECTIVOS

 

No quadro de uma economia em reconversão, assente no aprofundamento das transformações dos processos produtivos, compete às Empresas tomarem a seu cargo a concretização de projectos estruturantes, potenciadores da aceleração da sua actividade económica, e visando ganhos efectivos de produtividade. É neste quadro que as Acções de Formação-Acção podem desempenhar um papel importante. Orientadas em função das estratégias e objectivos desenhados pelas Empresas que servem, estas acções obrigam-se por isso a responder à medida das necessidades específicas de cada Empresa, estruturando-se sob um modelo flexível e adaptativo. Este conjunto de acções, desenvolvido em harmonia com o projecto da Empresa, visa dotá-la de conhecimentos que a permitam desenvolver com autonomia o projecto a que se propõe (formação) ao mesmo tempo que organiza e participa em parceria com esta no desenvolvimento técnico do mesmo (acção).

 

APLICAÇÃO

 

Desde 1995 que o CENFIM - Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica vem considerando na sua resposta junto do sector industrial que serve, e a par das acções de formação profissional em moldes mais tradicionais, estes Projectos de Formação-Acção. O facto de um Projecto de Formação-Acção, pela sua natureza, ser traçado de acordo com as especificidades de cada Empresa e com os objectivos de melhoria a que esta se propõe, não lhe permite definir um domínio de aplicação concreto. Contudo, da experiência já consumada podem-se caracterizar como áreas de maior incidência, os projectos:

 

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Potenciadores da estudo e consequente inovação organizacional, de suporte à introdução de novas tecnologias e novos modelos organizacionais e comportamentais;

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Reconversão de processos produtivos, designadamente na experimentação e implementação de novos métodos de produção e formas de organização do trabalho.

 

VANTAGENS DE UM PROCESSO DE FORMAÇÃO-ACÇÃO

 

A vantagem da Formação-Acção reside principalmente no facto deste tipo de projecto ser traçado com a Empresa enquanto “ferramenta” de melhoria para atingir um determinado estádio da organização, e não como um objectivo de formação em si mesmo, de natureza mais abstracta. Por conseguinte, esta componente de formação estabelece-se como uma mais valia no suporte aos objectivos de desenvolvimento da Empresa, apresentando-se como a plataforma através da qual a organização prepara os seus recursos humanos e as suas capacidades próprias para promover o projecto de desenvolvimento em que se investe. Desta participação da formação no seio da empresa resultam naturalmente uma maior eficácia do processo formativo, mormente na assimilação e aplicação dos conhecimentos adquiridos, e um mais franco envolvimento e reconhecimento da Empresa no mesmo. De entre as principais vantagens da Formação-Acção poderemos sublinhar algumas de maior relevância:

 

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A problematização dos objectivos da formação com base nas necessidades concretas das Empresas, centrando as qualificações dos seus colaboradores como factor de sucesso do projecto em que se investe, e conferindo ao processo formativo uma função indispensável;

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A abordagem da formação numa visão empresarial e concreta, mais eficazmente desenhada portanto, e de onde ressalta uma adesão sincera da Empresa, ao invés da participação tradicional na formação, normalmente considerada de forma individual e muitas vezes sem o reconhecimento e aplicabilidade por parte da Empresa;

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O facto de se alcançarem não apenas competências (formação) mas também resultados concretos (acção) para incorporação na organização (modelos organizativos, tecnologias desenvolvidas, novas abordagens Empresariais, etc.);

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A geração das condições desejadas (suficientemente próximas e convenientemente afastadas dos ambientes funcionais da Empresa) para proceder a acções de reconversão dos aspectos organizativos e funcionais;

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A associação entre os ambientes de aprendizagem e o contexto real de desenvolvimento da empresa traduz-se num clima de alta rentabilidade e motivação;

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Uma maior facilidade (proximidade) para diagnóstico de outras necessidades de formação, de base ou complementares e que podem mais facilmente ser resolvidas através do plano de formação já arquitectado, e;

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Ou garantir-se o envolvimento directo da Empresa no desenvolvimento do projecto garante-se ainda a sua capacidade para posteriores prolongamentos ou melhoramentos do mesmo, sem dependência de terceiros. Este aspecto de autonomia é, por razões óbvias, fundamental em projectos de melhoria contínua, que de outro modo não poderão ser garantidos se recorrendo apenas à subcontratação de terceiras partes.

 

FASES DE UM PROJECTO DE FORMAÇÃO-ACÇÃO

 

A realização de um projecto Formação-Acção processa-se ao longo de várias fases, tipicamente associadas às sequências do projecto de modernização e baseia o seu desenvolvimento na alternância entre os ambientes de formação (preparação) em sala e os períodos de desenvolvimento (acção) na/com a Empresa. Ao longo das várias fases do seu desenvolvimento procura envolver sequencialmente toda a hierarquia da Empresa, a um nível de responsabilidades cada vez mais fino à medida que se aproxima da concretização dos seus objectivos de melhoria.

 

Tradicionalmente são consideradas no CENFIM quatro fases de desenvolvimento para este:

 

1ª FASE - Definição do projecto da Empresa

O objectivo desta fase é a de conseguir definir esse projecto com base nas expectativas da Empresa e envolvendo desde logo a sua gestão de topo, condição essa crucial para o sucesso no desenvolvimento e implementação dos resultados do projecto.

 

2ª FASE - Estudo e modelação do projecto

Nesta segunda fase o projecto da Empresa é desenvolvido de forma a especificar o pretendido para as funções empresariais afectadas. Pretende-se nesta fase fazer um levantamento exaustivo da organização da Empresa, considerando ainda a sua representação esquemática, para de seguida se proceder a estudos de optimização dos processos internos da Empresa. São aqui chamados a intervir as chefias ou colaboradores que detenham uma visão ‘helicoptérica’ do funcionamento da empresa nas áreas em questão.

 

3ª FASE - Desenvolvimento da solução

Fase que visa o desenvolvimento concreto das soluções (técnicas, tecnológicas, comportamentais e/ou organizacionais) detalhadas anteriormente. Através de acções específicas de formação há aqui uma clara intenção pedagógica de preparar as Empresas, com vista a dotá-las com capacidades próprias para o desenvolvimento, o qual é depois acompanhado em parceria pelo CENFIM.

 

4ª FASE - Implementação e qualificação na nova função

Esta última fase visa a implementação real do projecto e constitui-se, para além da ‘instalação’ da solução, na preparação dos recursos humanos da empresa para lidarem com a mesma, aspecto este fulcral e tantas vezes menosprezado. Preferencialmente, parte das acções de formação deverão ser monitorizadas pelos quadros da empresa envolvidos nas fases anteriores de desenvolvimento do projecto, pelo que em alguns casos o CENFIM realizará associadamente acções de formação pedagógica para preparação desses colaboradores da Empresa.

NOTA FINAL

 

Estes Projectos de formação implicam, pelo seu tipo de envolvimento e desenvolvimento um esforço significativo por parte dos agentes de formação. Por um lado obrigam a que a componente formativa seja desenhada e realizada especificamente para a Empresa, por outro lado, requerem o envolvimento dos formadores em períodos técnicos no seio da empresa, já sem o resguardo da actuação teórica em sala de aula. Mas também é verdade que esta alternância entre os ambientes de formação, normalmente traçados num quadro relativamente abstracto, e os períodos de acção na empresa, são uma oportunidade única para os agentes de formação se confrontarem mais de perto com a realidade concreta do contexto industrial que procuram servir, e um exigente mas realizador projecto onde se vêm aplicadas de forma imediata e efectiva a sua acção no domínio deste sempre complexo processo vital de reconversão e qualificação de conhecimentos que num contexto mais lato se chama Formação.