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O Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências Profissionais
- RVCC-PRO
Uma Oportunidade para os Trabalhadores e para as Empresas
A questão do reconhecimento e certificação de competências desenvolvidas
fora dos sistemas formais de educação e formação, assume particular
relevância no contexto português, tendo em conta o modo como uma parte
significativa da população activa adquiriu os saberes necessários ao seu
desempenho profissional.
As empresas continuam a constituir um lugar privilegiado de aquisição de
competências, através do exercício profissional, substituindo ou
complementando, muitas vezes, a acção do sistema de formação na produção
dos saberes necessários ao mundo empresarial.
Com base nestes dados, frequentemente se afirma que a população activa
portuguesa apresenta graves défices de qualificação mas importa, ainda
assim, questionar se não será esta população bastante mais qualificada
do que as estatísticas parecem demonstrar. Em muitos casos, trata-se de
uma impossibilidade formal de demonstrar essa qualificação pelo facto
dos profissionais não possuírem os títulos correspondentes aos saberes
efectivamente detidos.
Na verdade, após alguns anos de experiência laboral, os activos adquirem
saberes e competências que lhes permitem desempenhar uma determinada
actividade profissional, não raras vezes com grande eficiência, pelo que
estas aprendizagens devem ser formalmente reconhecidas e capitalizadas
num processo de formação contínua e de valorização dos cidadãos,
constituindo verdadeiras segundas oportunidades de acesso a níveis mais
elevados de escolaridade e de qualificação profissional.
Por este motivo, foi desenvolvido pelo Instituto do Emprego e Formação
Profissional o dispositivo RVCC-PRO - Reconhecimento,
Validação e Certificação de Competências Profissionais, que visa
contribuir para o aumento dos níveis de qualificação certificada da
população activa, através do reconhecimento das aprendizagens
desenvolvidas fora dos sistemas formais de educação e formação, bem como
constituir uma segunda oportunidade de formação para aqueles que não
frequentaram ou abandonaram precocemente aqueles sistemas.
Neste dispositivo, os candidatos são submetidos a um processo de
reconhecimento e validação (avaliação) das competências detidas, bem
como à identificação das competências em falta por comparação ao
referencial de formação, ou seja, ao itinerário do respectivo curso de
formação profissional do IEFP.
Trata-se de um processo que se pretende formativo e valorizador das
experiências pessoais e profissionais dos candidatos, o qual culmina na
emissão de um “Registo das Competências Validadas” e de um “Plano
Individual de Formação” para orientar a aquisição das competências em
falta relativamente à profissão pretendida.
Caso o candidato demonstre ser detentor de todas as competências, no
final do processo ou após frequência da formação recomendada, terá
acesso a um certificado equivalente ao emitido no final dos cursos de
formação profissional do IEFP.
Apesar deste dispositivo se centrar, essencialmente, no reconhecimento
das competências profissionais, foi desenvolvido de maneira a ser
aplicado, de forma articulada, com o Sistema de RVCC escolar, sempre que
o candidato necessite, simultaneamente, de certificação escolar e
profissional.
O quadro seguinte apresenta a lista de Centros e profissões em que o
dispositivo RVCC-PRO está disponível:

De forma a
facilitar a sua compreensão da filosofia e modelo de funcionamento do
dispositivo RVCC-PRO, apresentamos de seguida alguns diagramas
esquemáticos que evidenciam o carácter sistémico e integrado desta
intervenção:
CONTRIBUTO DO RVCC-PRO PARA O EMPREGO

QUALIFICAÇÃO E
COMPETÊNCIA: CONCEITOS CENTRAIS DE RVCC-PRO

RVCC-PRO:
EIXOS DE INTERVENÇÃO

PERCURSO
RVCC-PRO

VÉRTICES DE
QUALIDADE DO PROCESSO RVCC-PRO

O RVCC-PRO:
UMA QUESTÃO DE ATITUDE

Quais são os objectivos?
Pretende-se
aumentar o nível de qualificação e a empregabilidade dos adultos activos
e incentivar a formação ao longo da vida através da valorização de todas
as aprendizagens realizadas, em diferentes situações, pelos
profissionais.
A quem se destina?
A activos
empregados e desempregados, com mais de 18 anos, que adquiriram saberes
e competências através da experiência de trabalho ou noutros contextos e
pretendam vê-las reconhecidas através de uma certificação formal.
Que profissões estão abrangidas pelo RVCC-PRO?
Até Dezembro
de 2005:

Após Dezembro
de 2005, o processo será, faseadamente, alargado a todas as saídas
profissionais e desenvolvido nos vários Centros de Formação Profissional
do IEFP, bem como em entidades externas ao IEFP que demonstrem
capacidade técnica para prestar este serviço.
Onde se apresenta a candidatura?
Os
interessados podem efectuar a candidatura directamente nos Centros de
Formação Profissional (CENFIM) que desenvolvam o processo na profissão
pretendida pelo candidato ou no Centro de Emprego da área de residência,
através do preenchimento da ficha de candidatura.
Quais as condições de acesso?
Existem
condições de acesso específicas para cada saída profissional. Informe-se
junto do Centro de Formação Profissional respectivo.
Como se desenvolve o processo RVCC-PRO?
O processo é
desenvolvido ao longo de um conjunto de sessões durante as quais os
candidatos são apoiados, por técnicos e formadores da área profissional,
na identificação e reconhecimento das respectivas competências e na
recolha de evidências que as comprovem, bem como na sua demonstração.
Posteriormente, os candidatos são avaliados por uma comissão que valida
as competências detidas e identifica as competências em falta, indicando
a formação adicional que deve ser frequentada para obter a certificação
final.
E se o candidato não tiver a totalidade das competências?
Nesse caso, a
equipa RVCC-PRO elabora para o candidato um Plano Individual de Formação
(PIF) que permitirá orientar o acesso a respostas formativas para
adquirir os conhecimentos e competências em falta.
Estas
respostas podem passar pela frequência de unidades/acções de formação
contínua do IEFP ou de outras entidades formadoras devidamente
acreditadas, de acordo com as competências em falta, bem como por
respostas formativas mais individualizadas, como seja o caso da formação
em contexto real de trabalho ou da autoformação.
Como é formalizada a certificação?
No final do
processo RVCC-PRO, os candidatos obtêm uma certificação total ou parcial
das respectivas competências através da emissão de um:
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Certificado de Formação Profissional+ de nível 2 ou de nível
3 (prevê-se alargar este processo também ao nível 4) que
comprova a detenção da totalidade das competências
correspondentes a um deter-minado curso do IEFP.
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Registo de
competências validadas e necessidades de formação que é emitido nos
casos em que os candidatos só detêm uma parte das competências do
referencial de formação. Este documento comprova as competências que o
candidato detém, identifica as competências em falta e apresenta o Plano
Individual de Formação (PIF) a realizar para obtenção da certificação
total.
Qual o referencial face ao qual os candidatos são analisados?
Os candidatos
serão avaliados face aos Referenciais de Formação do IEFP,
candidatando-se ao Certificado de Formação Profissional+ correspondente
a um determinado curso deste Instituto. Para obter a certificação final,
devem demonstrar possuir todas as competências correspondentes ao curso
de formação profissional.
Qual a articulação com outros sistemas de certificação?
No sentido de
promover a valorização social e profissional do indivíduo nos sistemas
de educação e formação e no mercado de trabalho, foram estabelecidas as
seguintes articulações:
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Sempre
que os candidatos necessitem de obter um determinado nível de
escolaridade "quer seja essa uma condição obrigatória para
acesso à certificação, quer seja apenas para aumentar o nível de
escolaridade” será estabelecida a necessária articulação com os
Centros RVCC da rede da DGFV,
promovendo o aproveitamento de todo o trabalho de identificação
de competências já realizado. Sempre que exista legislação que
regulamente ou regule uma dada saída profissional através da
emissão de títulos profissionais (obrigatórios ou voluntários),
como é o caso do
CAP
ou da Carteira Profissional, serão salvaguardadas as condições
de acesso aos mesmos e os candidatos apoiados no processo de
candidatura junto das entidades certificadoras.
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Em 2005
o CENFIM foi convidado a integrar a rede de 8 Centros que
desenvolveram a fase piloto do dispositivo tendo, conforme predefinido
desenvolvido todo o seu projecto direccionado para a saída
profissional de Operador/a de Máquinas-Ferramenta.
Nesta fase
inicial focalizou a sua experimentação nas OGMA - Indústria
Aeronáutica de Portugal, S.A, tendo envolvido cerca de 35 profissionais
candidatos. Na componente escolar fomos coadjuvados pelo CEFOSAP.
Foi uma
experiência complexa que implicou a elaboração do Kit de provas, fichas
de correcção e demais elementos que compõe o designado “portfólio” de
competências.
Contudo porque
a iniciativa encerra em si um mérito indiscutível, vamos prosseguir com
esta prática em 2006, alargando-a progressivamente a todos os Núcleos.

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