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O Desenvolvimento Sustentável
Após vários
anos de análise, do diploma estar em discussão pública, e diga-se da
aridez da mesma, foi publicada a Resolução do Conselho de Ministros
n.º109/2007, em 20 de Agosto, que aprova a Estratégia Nacional do
Desenvolvimento Sustentável e o seu Plano de Implementação. Este
diploma contém a importância de ser como que um “chapéu” de toda a
filosofia dos empreendimentos nacionais, enquanto, por exemplo, o QREN é
a fonte de financiamento dos vários programas, este é a substância de
todos eles. Aqui encontram-se a análise SWOT, pontos fortes e fracos, os
riscos e as oportunidades de Portugal, os objectivos, as metas e as
acções. É importante salientar que os pilares fundamentais deste
diploma, para vigorar até 2015, são o crescimento harmonioso da
economia, da coesão social e do ambiente, fundamentais para toda a acção
governativa e a condicionam. O desenvolvimento sustentável tendo como
alicerce os Objectivos do Milénio, aprovados pela Assembleia Geral das
Nações Unidas, por 189 países, a Estratégia do Desenvolvimento
Sustentável da União Europeia, esta tendo como pano de fundo a
Estratégia de Lisboa, impunha que cada país tivesse a sua própria
estratégia subordinada aqueles documentos, foi o que veio a acontecer
com esta publicação, embora tardiamente.
O desígnio
mobilizador da sociedade portuguesa, e de todos nós, definido no diploma
refere que é adoptado “retomar uma trajectória de crescimento sustentado
que torne Portugal, no horizonte de 2015, num dos países mais
competitivos e atractivos da União Europeia, num quadro de elevado nível
de desenvolvimento económico, social e ambiental e de responsabilidade
social”. Ora este ponto fulcral da Resolução do Conselho de Ministros,
coloca, desde logo, várias questões presentes nas palavras “cresci-mento
sustentado” e “desenvolvimento económico, social e ambiental e de
responsabilidade social”. Em primeiro lugar o governo reconhece que o
nosso crescimento deve ser sustentado e não sustentável, isto é, depende
do exterior e das suas ajudas e não só da riqueza que o País gera, o que
é importante salientar, porque isso quererá enfatizar que não existe
possibilidade de desenvolvimento com forças endógenas, mas tem de
recorrer às exógenas, como por exemplo o QREN. Portugal não está assim
preparado sozinho para desenvolver as várias vertentes da
sustentabilidade, ao nível das exigências da economia, e não é por
estarmos numa globalização constante, mas sim porque as nossas forças
produtivas, o nosso tecido industrial, a própria acção sindical que
ainda aposta numa formulação da “luta dos contrários”, quando já não se
trata disso, é muito sensível e ténue, e por isso tanto recorremos a
fundos de convergência da União Europeia. No segundo ponto desta
filosofia base é colocada como fazendo parte de um circulo, a triologia
económica, de coesão social e ambiental, isto é, é necessária a
convergência dum desenvolvimento que sustente o crescimento ao mesmo
tempo da coesão social das populações, não esquecendo a decisiva
transmissão de conhecimentos sólidos às pessoas, como forma de vencer a
pobreza, a fome e proteger a saúde. É aqui neste equilíbrio que se joga
a competitividade e atractividade do nosso país, colocando as forças
produtivas a funcionar, de forma a torná-las sustentáveis. Um último
ponto, que não analisaremos por agora, é o enfoque que o desígnio coloca
na “responsabilidade social”, agora em discussão pública no projecto de
Norma NP 4469-1:2007, que teremos no próximo número possibilidade de
analisar.
São sete os
objectivos desta Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável:
preparar Portugal para a Sociedade do Conhecimento, o crescimento
sustentado, competitividade à escala global e eficiência energética,
melhor ambiente e valorização do património, mais equidade, igualdade de
oportunidades e coesão social, melhor conectividade internacional do
país e valorização equilibrada do território, um papel activo de
Portugal na construção europeia e na cooperação internacional e uma
administração pública mais eficiente e modernizada, qualquer deles que
não pode ser dissecado aqui dado ser um estudo que ocuparia muito
espaço; mas importantes de formular. E se é indispensável que todos os
objectivos confluam para um único, o desígnio, o primeiro, porém,
estabelece as prioridades e os vectores estratégicos para a aprendizagem
ao longo da vida e as suas metas são claramente tipificadas. Aliás,
concorde-se ou não com o documento, não podemos deixar de reconhecer o
rigor científico. E no plano de implementação deste objectivo primeiro,
referem-se os “investimentos, sistemas de incentivos e reformas
estruturais” e as “medidas de enquadramento e intervenções
complementares”, que tornam a sua exequabilidade, e nesse quadro os
vários vectores referem, relativamente à formação profissional, o
reforço da formação de jovens com dupla certificação, nos Centros de
Formação Profissional, a diversificação de oportunidades nas
metodologias para a aprendizagem ao longo da vida e o reconhecimento e
validação de competências, não esquecendo no seu ponto treze o
“desenvolvimento da formação dos empresários e quadros dirigentes e da
inserção de técnicos nas PME”. Tudo isto para atingir as grandes metas,
neste domínio: abranger 650 mil jovens em cursos profissionais, até
2010, aumentar a percentagem da participação dos activos em 12,5% em
acções de educação / formação e atingir um milhão de activos
qualificados nesses cursos até 2010, só para referir algumas.
O diploma é
importante e deve ser estudado, porque sem isso não é possível passar do
“sustentado” à “sustentabilidade”. Pela nossa parte referimos só alguns
dos muitos pontos que nos pareceram mais importantes no domínio da
formação.
A Implementação da ENDS - Principais Instrumentos

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