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A Manutenção "ontem, hoje e amanhã"
Falar de
Manutenção é antes de mais, falar de técnica.
E tal como a
técnica tem um processo evolutivo, também a manutenção conheceu ao longo
dos tempos, uma linha de melhoria de conceitos, de práticas, de
métodos….
Não é
necessário recuar muito no tempo para facilmente identificarmos quão
profunda foi a modificação operada na actividade Manutenção.
Se nos
reportarmos aos princípios do século passado, ao florescimento da
verdadeira era industrial e compararmos os conceitos de equipamento
(máquina) com os de actualmente, facilmente entenderemos essa evolução.
Os
equipamentos do final do séc. XIX, princípios do séc. XX, eram na sua
maioria concebidos para aumentar a velocidade e o volume de produção, ou
para executar tarefas que as limitações humanas dificilmente poderiam
executar.
Conceitos como
produtividade, qualidade e fiabilidade, só muito mais tarde
seriam tomados em consideração e entrar nos dicionários técnico e de
gestão.
Mesmo quando
H. Ford iniciou em 1908 a produção em série do famoso modelo T. (que
iria durar até 1927, com pequeníssimas alterações), questões como planos
de manutenção, revisões periódicas etc., não eram ainda conhecidas e
muito menos prática comum.

Na realidade,
os equipamentos só eram intervencionados quando avariavam ou partiam. A
prevenção não fazia parte do dicionário do “mecânico” da época. A
habilidade na reparação e na execução dos componentes avariados
valorizava extraordinariamente o executante, numa filosofia muito
própria da época, em que a formação era conseguida à base da prática.
Era mexendo que se aprendia.
Equipamentos
limpos indicavam falta de uso.
Com o evoluir
da técnica, com a sofisticação dos equipamentos e consequentemente com o
seu custo de aquisição, a competitividade das empresas começa a
aumentar, e questões como a Produtividade e os Custos de Produção passam
a ser tidos em consideração.
Os custos de
Manutenção passam a ter uma avaliação própria, e a paragem dos
equipamentos por avaria, a pesar na economia das empresas. Equipamento
parado era equipamento que não produzia.
A Prevenção
ganha uma nova dinâmica, e ter os equipamentos sempre disponíveis passa
a palavra de ordem. A Produção passa a ser a componente mais importante
das empresas.
Evitar a
avaria através de operações preventivas entra numa nova época.
Reparar antes de partir em vez de reparar quando partir,
através de métodos de planeamento, distribuídos no tempo e repetitivos
de acordo com a experiência ou as sensibilidades do fabricante.
É a era da
Manutenção Preventiva Sistemática.
No entanto,
depressa se verifica que substituir componentes apenas porque o plano a
isso obriga, quando os mesmos se encontram em perfeitas condições, leva
a questionar a eficácia do sistema, pelo menos na sua vertente
económica.

Os componentes
apenas deveriam ser substituídos quando apresentassem sintomas de terem
chegado ao fim de vida, ou a avaria estivesse eminente. Um novo
conceito, de prevenção começa a desenhar-se: A Manutenção Preventiva
Condicionada ou Preditiva.
Na
aeronáutica, as avarias podem ser extraordinariamente importantes e os
seus impactos extremamente graves, não devendo portanto acontecer ou
pelo menos ser reduzida a hipótese de acontecerem. Isto leva a que os
custos de manutenção sejam muito elevados, o que deu um extraordinário
impulso a este conceito.

Os
equipamentos passam a disponibilizar sistemas de avaliação e análise do
funcionamento dos mesmos, e as manutenções são efectuadas de acordo com
as condições de operação e o estado dos componentes.
Este conceito
no entanto não definia responsabilidades, e continuavam a ser os
serviços de manutenção a serem os principais responsáveis pelos
equipamentos, mesmo quando a sua operação era efectuada por terceiros e
nem sempre nas melhores condições.
A passagem da
responsabilidade das operações básicas de manutenção para os operadores
dos equipamentos (lubrificação, limpeza e pequenas afinações), é uma das
formas que a indústria japonesa tem para minimizar os efeitos da má
operação, dos tempos de paragem para manutenção (e portanto
correspondentes a quebras de produção), e a garantia da disponibilidade
dos equipamentos para a produção 24 sobre 24 horas. A Manutenção
Produtiva Total (TPM) embora com muitos seguidores, esbarra com a
cultura europeia e americana e nunca é totalmente implementada no
ocidente. A aplicação dos seus princípios em casos pontuais e
específicos é no entanto a solução para muitos processos, e os
resultados da sua aplicação normalmente um sucesso.
A Qualidade e
a Fiabilidade dos equipamentos e componentes, largamente implementadas
pela sofisticação quer de materiais, quer dos processos de fabrico, a
impossibilidade de em determinados casos de efectuarem reparações ou
Manutenções durante a operação dos equipamentos, (ex: viagens espaciais)
relança o tema da operacionalidade dos equipamentos e da garantia do seu
funcionamento.

O conceito de
RCM (manutenção centrada na fiabilidade dos componentes) é o novo
desafio dos profissionais dedicados à Manutenção.
No entanto,
importa salientar que cada vez mais, a função do Técnico de Manutenção
deixou há muito de ser reparar avarias, para ser EVITAR QUE AS
AVARIAS ACONTEÇAM.
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