Testemunho de Cláudia Novo

Testemunho de Cláudia Novo

08 março 2026

Quais foram os maiores desafios que enfrentou enquanto Mulher na Indústria?

Sinceramente, nunca senti grandes dificuldades em impor-me por ser mulher. Sempre fui muito focada no meu trabalho e na forma como me posiciono profissionalmente, e isso ajudou-me a ganhar respeito desde cedo.

Claro que trabalho num setor maioritariamente masculino, e há momentos em que sou a única mulher na sala, mas isso nunca foi um obstáculo direto. Para mim, o maior desafio não esteve tanto no facto de ser mulher, mas sim na exigência própria da indústria: prazos apertados, decisões rápidas e responsabilidade constante.

Acredito que a postura faz muita diferença. Quando comunicamos com segurança, mostramos conhecimento e somos consistentes, o reconhecimento acaba por surgir naturalmente.

 

Como descreve o ambiente para as mulheres nesta área técnica/industrial?

Vejo a indústria como um ambiente exigente para qualquer profissional, independentemente do género. É uma área muito prática, orientada para resultados e eficiência.

Sendo uma área ainda maioritariamente masculina, pode inicialmente parecer intimidante para algumas mulheres. No entanto, na minha experiência, quando há competência e profissionalismo, o ambiente tende a ser bastante meritocrático.

Tenho sentido respeito e abertura. Acho que estamos numa fase em que o género está cada vez menos no centro da questão, o que conta é o desempenho, a capacidade técnica e a atitude.

 

Que conselho daria a jovens mulheres que queiram seguir áreas técnicas de apoio à Indústria?

Diria para avançarem sem receios. A indústria não é “um mundo de homens”, é um mundo de profissionais.

Invistam na vossa formação, estejam preparadas e não duvidem da vossa capacidade antes de começar. A confiança constrói-se com experiência, mas começa com decisão.

E algo que considero importante: não entrem já com a expectativa de que será mais difícil por serem mulheres. Entrem com a mentalidade de quem tem algo a acrescentar. Quando nos posicionamos dessa forma, o ambiente responde muitas vezes na mesma medida.

A indústria precisa de talento, de visão e de competência, e isso não tem género.