08 março 2026
Quais foram os maiores desafios que enfrentou enquanto Mulher na Indústria?
Sinceramente, nunca senti grandes dificuldades em impor-me por ser mulher. Sempre fui muito focada no meu trabalho e na forma como me posiciono profissionalmente, e isso ajudou-me a ganhar respeito desde cedo.
Claro que trabalho num setor maioritariamente masculino, e há momentos em que sou a única mulher na sala, mas isso nunca foi um obstáculo direto. Para mim, o maior desafio não esteve tanto no facto de ser mulher, mas sim na exigência própria da indústria: prazos apertados, decisões rápidas e responsabilidade constante.
Acredito que a postura faz muita diferença. Quando comunicamos com segurança, mostramos conhecimento e somos consistentes, o reconhecimento acaba por surgir naturalmente.
Como descreve o ambiente para as mulheres nesta área técnica/industrial?
Vejo a indústria como um ambiente exigente para qualquer profissional, independentemente do género. É uma área muito prática, orientada para resultados e eficiência.
Sendo uma área ainda maioritariamente masculina, pode inicialmente parecer intimidante para algumas mulheres. No entanto, na minha experiência, quando há competência e profissionalismo, o ambiente tende a ser bastante meritocrático.
Tenho sentido respeito e abertura. Acho que estamos numa fase em que o género está cada vez menos no centro da questão, o que conta é o desempenho, a capacidade técnica e a atitude.
Que conselho daria a jovens mulheres que queiram seguir áreas técnicas de apoio à Indústria?
Diria para avançarem sem receios. A indústria não é “um mundo de homens”, é um mundo de profissionais.
Invistam na vossa formação, estejam preparadas e não duvidem da vossa capacidade antes de começar. A confiança constrói-se com experiência, mas começa com decisão.
E algo que considero importante: não entrem já com a expectativa de que será mais difícil por serem mulheres. Entrem com a mentalidade de quem tem algo a acrescentar. Quando nos posicionamos dessa forma, o ambiente responde muitas vezes na mesma medida.
A indústria precisa de talento, de visão e de competência, e isso não tem género.